Golfinhos-rotadores


 

O golfinho-rotador encontrado em Fernando de Noronha pertence à espécie Stenella longirostris e é conhecido popularmente como golfinho-rotador por rodar em torno do próprio eixo quando salta fora d’água. Ele atinge 2 metros de comprimento, pesa 75 kg e apresenta um padrão tricolor: cinza-escuro no dorso, cinza-claro nos flancos e branco no ventre.

 

Os golfinhos-rotadores têm hábitos gregários, com agrupamentos sociais muito fluídos, quanto ao tamanho e constituição. Estes agrupamentos podem variar de 3 a mais de 2.000 indivíduos, que se movem livremente entre diferentes círculos de companhia em questão de minutos, horas, dias ou semanas.

Os golfinhos-rotadores vivem em águas oceânicas tropicais no Atlântico, Pacífico e Índico, mas podem buscar águas calmas em enseadas de ilhas oceânicas, como ocorre em Kealakekua Bay, no Havaí, e na Baía dos Golfinhos, Fernando de Noronha.

Normalmente, logo após o nascer do sol, eles vêm das áreas de alimentação, localizadas ao redor do Arquipélago ou na Cadeia de Montanhas Submarinas de Fernando de Noronha, que distam até 200 km da Baía dos Golfinhos. À tarde, voltam para as áreas de alimentação, não obrigatoriamente para aquelas que estavam no dia anterior. Os golfinhos se alimentam preferencialmente à noite.

Temos registro desde 1990 de frequência dos golfinhos em 93% dos dias do ano, sendo as principais áreas de concentração a Baía dos Golfinhos, a Baía de Santo Antônio e a Enseada Entre Ilhas. O número máximo de golfinhos já registrado simultaneamente em um dia na Baía dos Golfinhos foi 2.719 em 2014. Mas, em média, entram 362 golfinhos por dia na Baía dos Golfinhos.

Os golfinhos se alimentam de presas com tamanho inferior a 20 centímetros, como lulas, camarão-vermelho e os peixes garapau, agulhinha e voador. Os golfinhos cercam as presas antes de capturá-las. Os principais predadores dos golfinhos são os tubarões, como o tigre, o martelo, o bico-fino e o charuto. O charuto apenas retira pedaços em forma de biscoitos do tecido adiposo dos golfinhos.

Acompanhar o barco é um comportamento que tem como função despistar a embarcação por se tratar de uma possível ameaça, minimizando o impacto em todo o grupo de golfinhos. Esse comportamento normalmente é realizado pelos rotadores de guarda, composto preferencialmente por machos adultos.

As atividades aéreas, quando os rotadores saltam ou batem com parte do corpo na água, são um comportamento utilizado para comunicação. Ao reentrar na água, o corpo do golfinho produz uma mancha de bolhas que é visualizada pelos golfinhos em forma de mensagem. Assim, cada mancha simboliza uma mensagem específica no mundo da comunicação dos rotadores. Uma delas já pudemos identificar em mergulhos de estudo sobre o comportamento dos golfinhos, como sendo: “Vem cá, meu filho!”.


 


Os rotadores merecem proteção especial em Noronha

A imagem de Fernando de Noronha - um dos principais destinos turísticos do Brasil - está associada não apenas a praias que figuram entre as primeiras no ranking das mais belas do Brasil. Os golfinhos utilizam o arquipélago para descanso e reprodução, e, também integram os atrativos da ilha. Mas nem todos sabem que há regras para se aproximar desses cetáceos, a fim de minimizar o impacto negativo desta interação.

 

Os golfinhos vêm para Fernando de Noronha para a realização de comportamentos íntimos (descanso, reprodução e cuidado dos filhotes). A presença de pessoas na água faz com que os golfinhos executem em menor quantidade esses comportamentos vitais, gastando tempo e energia para ficarem em alerta. Isto provoca diminuição nas taxas reprodutivas e aumento nas taxas de estresses.

Para pessoas que estão dentro da água, não é permitido perseguir, nadar e mergulhar com os golfinhos. Para as embarcações, não é permitido perseguir, tentar direcionar os golfinhos para uma determinada área, penetrar intencionalmente nos grupos e produzir ruídos excessivos na presença destes cetáceos.

As regras são ainda mais rígidas na Baía dos Golfinhos, enseada localizada no Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, e é uma das áreas de maior ocorrência de golfinhos-rotadores em Fernando de Noronha e no mundo. Ela é fechada ao ingresso de pessoas e embarcações não autorizadas. Além de que navegar em movimentos circulares ou em velocidade acima de 5 nós defronte à baia estão entre as atitudes que não são permitidas. A baía é sinalizada com boias que indicam os limites da área protegida.

As regras asseguram que os golfinhos continuem utilizando Fernando de Noronha como local de descanso, acasalamento e cuidados com os filhotes, dentre eles, a amamentação. A espécie costuma se alimentar de peixes, camarões e lulas durante a noite em águas profundas do oceano e durante o dia busca refúgio na ilha em águas mais calmas.

Sem a garantia de proteção aos golfinhos, eles já teriam desaparecido de Noronha, como aconteceu em outras ilhas oceânicas. Noronha precisa muito mais dos golfinhos do que eles de Noronha. Esses cetáceos estão dentre as principais motivações que levam as pessoas a visitar a ilha.

Mesmo com o trabalho de educação ambiental do Projeto Golfinho Rotador junto aos meios de hospedagem, condutores de visitantes e serviços náuticos da ilha, frequentemente há infrações. Entre as mais comuns está a aproximação intencional durante o mergulho e natação.